OBÁ

OBÁ ("rainha")
Divindade guerreira, considerada até como uma Oia-Iansã velha, originária do rio de mesmo nome na Nigéria. Ligada à água doce como Oxum, ao contrário desta está presente nas águas revoltas como: enchentes, inundações e cheias dos rios e também no corisco, que lhe foi dado pelo marido Xangô. É o orixá que domina a paixão. Obá rege a desilusão amorosa, a tristeza, o sentimento de perda, a incapacidade do homem de ter o que ama e deseja. Obá é a raiva, a frustração, a solidão, a depressão, o sentimento de abandono. Embora a lenda diga ser Obá uma guerreira vencedora, ela conseguiu seu encantamento no oposto, ou seja, na derrota.
Obá era esposa de Xangô, juntamente com Oxum que muito esperta queria se livrar da rival. Certo dia, para enganar Obá, Oxum apareceu com um pano cobrindo uma das orelhas. Obá quis saber o que era aquilo, e ela então contou que tinha cortado a própria orelha e colocado na comida de Xangô, e este teria gostado muito, daí ela ser a sua favorita. Obá por tanto amor que nutria pelo marido, não pensou duas vezes, e fez o mesmo. Xangô repugnado expulsou-a de seu reino. E toda esta dor, desesperança, abandono, ficou em Obá e tem sua regência. É a lógica dizendo que é a "última gota", que faz transbordar nossos sentimentos. Se um rio enche e transborda, é porque não suporta mais o volume de água, deixando escapar "aquilo que não cabe mais", isto é Obá, esta é sua regência, seu encantamento e sua influência. Geralmente quando incorpora, lança-se contra as filhas de Oxum, principalmente se estas estiverem próximas do orixá Xangô. A iniciação de uma filha de Obá necessita de certas ervas difíceis de serem encontradas no Brasil. Daí o grande número de filhas de Oia-Iansã, de características muito semelhantes a Obá, crescer a cada dia.