("aquele que se destaca pela força e revela seus segredos ")
Talvez estejamos diante do orixá mais cultuado e respeitado no Brasil. Isso porque foi ele o primeiro deus iorubano, por assim dizer, que pisou em terras brasileiras. É portanto, o principal tronco dos candomblés do Brasil.
No aspecto histórico Xangô teria sido o terceiro Aláàfin Òyó, filho de Oranian e Torosi; no seu aspecto divino, permanece filho de Oranian, divinizado, porém tendo Yamasecomo mãe e três divindades como esposas: Oiá, Oxum e Obá.
Xangô é o rei das pedreiras, senhor dos raios e do trovão, pai da justiça e o orixá que gera o poder da política. Guerreiro, bravo e conquistador, Xangô também é conhecido como o orixá mais vaidoso entre os deuses masculinos africanos. É monarca por natureza e chamado pelo termo Obá, que significa rei. E é o orixá que reina em Oyó, na Nigéria, antiga capital política daquele país.
No dia-a-dia encontramos Xangô nos fóruns, delegacias, ministérios políticos, lideranças sindicais, associações, movimentos políticos, nas campanhas e partidos políticos, enfim, em tudo que gera habilidade no trato das relações humanas ou nos governos, de um modo geral.
Xangô é a ideologia, a decisão, a vontade, a iniciativa. É a rigidez, organização, o trabalho, a discussão pela melhora, o progresso social e cultural, a voz do povo, o levante, a vontade de vencer. Também o sentido de realeza, a atitude imperial, monárquica. É o espírito nobre das pessoas, o chamado "sangue azul", o poder de liderança.
Para Xangô, a justiça está acima de tudo e, sem ela, nenhuma conquista vale a pena; o respeito pelo rei é mais importante que o medo.
Este, que apesar de grande guerreiro, justo e conquistador, detesta doenças, a morte e aquilo que já morreu. Xangô é avesso a eguns (espíritos desencarnados). Admite-se até que ele é uma espécie de imã de eguns, daí sua aversão a eles.
Xangô costuma entregar a cabeça de seus filhos a Obaluaiê e Omulu sete meses antes da morte destes, tal o grau de aversão que tem por doenças e coisas mortas.